terça-feira, 22 de novembro de 2016

Me sinto até mal
Em enviar uma carta (eletrônica)
ao poeta dos poetas,
metade parnasiano e metade romântico.
Não uso palavras rebuscadas,
tampouco sou o feminino de poeta.
Não usei a palavra certa
Quis rimar,
e agora nem sei o que me fez vir aqui falar.
Métrica?
Já disse não sou parnasiana.
Sou quase uma policial a paisana.
Peço desculpa por tudo estar em 1ª conjugação,
deve ser minha Vênus em Leão.
Mas Sol em Leão tu tens,
e vejo que eu não entendo nada sobre leonizar.
Vamos falar sobre horóscopo,
Quem sabe com um pouco de ópio?
Só sentar e relaxar
a espera de um assunto bom para completar.


Catarina Romeiro

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Cantiga do amor


Após suspiros,
Poemas de amor me arrancam ânsia.
Misturada ao vômito, uma canção de ninar
Das que cantam carneirinhos ao infinito.

Poemas de amor são todos iguais
Em tudo se parecem.
A não ser pelo amor.
Este pode ser de Maria, Carlos, João ou Olímpio.

João amava enquanto caminhava para a padaria.
Depois, só seus trocados guardados para o jornal
Lhe interessavam cortejar, era um dinheiro mixo.
Olímpio amava Teresa
Que se compromissou com um terceiro cavalheiro.
Passou a desamá-la! Amor tem dessas coisas.

Crianças amam em sua infinidade.
Um amor eterno até seus dez anos de idade.
Aquele que lhes escreve este outro poema
Que não é de amor, mas sobre o próprio,
Pensa que amor é um misto de insônia e braçadas na cama.

Gosto do amor de Carlos, um amor louco,
O de Maria é meloso demais.
De uma forma ou outra, todos têm fim.
O amor ou o poema?
Os dois.


Daniele Oliveira

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Aos leitores


Senhores leitores
Sou um dos poetas amadores
Tenho pouca criatividade
Por isso reduzi minha atividade

Não consigo mais escrever
Não tenho tema, motivo, razão
Sem argumento para poetar ser
Sem uma boa inspiração

Peço desculpas para todos
Sem poemas neste dia
Sem fotos ou engôdos
Apenas lamentos de uma manhã fria.

Tenham uma boa noite

Yago Antunes

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Poemeta em português 


A felicidade se esvai mais
Tu sabes o quanto me atrais
O quanto amo-te loucamente
Como tirar-te de minha mente?

Estou a passar-me com meu coração
Sou um calhau sem perdão
Sou um gajo tramado
Minha tristeza é letra de fado


Yago Antunes

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Canção do extermínio

Minha terra tem Palmeiras,
Corinthians Vasco e Ceará;
Os times, que aqui goleiam,
Não irão se rebaixar.

Nosso clube mais estrelas,
Nossas arquibancadas têm mais atores,
Nossos bancos têm mais torcida,
Nossa torcida menos temores.

Em gritar, sozinho, à noite,
Mais prazer tenho em falar;
Minha federação não é Palmeiras,
muito menos Ceará.

Minha família tem primores,
Que tais não encontro eu no Fla;
Em torcer — sozinho, à noite —
Mais tenho vontade de berrar;
Chupa essa palmeiras,
A solitária vai te atropelar.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte a gritar;
Sem que desfrute os sabores
Do oponente ver chorar;
Sem qu’inda aviste o Palmeiras,
Do Botafogo, goleada levar.


Nilo & Antunes

domingo, 13 de novembro de 2016

Descontínuo de ninguém


Espreguicei saudade esta manhã,
Bocejei uma incerteza repentina,
Desjejuei uma proporção de esperança cordial,
Caminhei pelo meio-fio atônito,
Escorreguei num buraco de injustiça,
Levantei no espasmo da composição,
Continuei na sinfonia decadente, entediado,
Rabisquei asas depenadas no vento,
Descontinuei o compasso apaixonado,
Cansei de cultivar ansiedade,
Descansei das irônicas sofreguidões,
Converti-me ao prosélito poético,
Anunciei as boas líricas,
Fui tentado na trova,
Cai na perdição de um sarcástico etílico,
Vaguei pelo vale da irresolução,
Perdi minha salvação estilística,
Roguei ao supremo despropósito,
Voltei a cair em tentação,
Escorreguei no meio-fio da composição,
Sobejei numa proporção apaixonada,
Beijei as irônicas saudades,
Gerei farturas estéreis,
Cansei de caminhar e de bocejar,
Descansei vagando em verso,
Exauri-me de amar e de Amor imenso,
Usufrui da salvação e do fervor,
Anoiteci de primavera puída,
Tossi algumas lágrimas engasgadas,
Balbuciei um porfio de inspiração,
Desbotei o libertino da chama,
Morri de frio.


Daniele Oliveira

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Entendo ter muitos problemas
Mas ainda sim sinto falta
Dos seus poemas

Tu és como Ulisses
O poeta mais importante
Meu saudoso Pisces

Até entendo que esteja ocupado
Deixando de lado
Os poemas, negligenciado
Mas me sinto largado
Meio abandonado
Até desesperado 
Sem saber o que escrever

O desespero desse
A rima cresce 
Como se estivesse
Deus ouvindo minha prece
Mas até parece
Pois se assim se merece 
O solitário padece
Até que seu coração cesse 
Ah se ele soubesse
O quão besta é essa rima de "ss"

Então, para chegar ao fim
Termino este poemas sobre saudade
Antes que comesse a falar de mim


Yago Antunes

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O que eu sou?




Eu sou
Não só por ser
Ou por ser um ser só
Mas sou só também
Onde tão bem sou mais
Sou eu e eu
Onde que eu sou?
Não sei
Só sei que
Eu sou


Nilo da Silva

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Melodia amoral



Sou esse sujeito andarilho,
Porque não, maltrapilho?
Minha organização é desorganizada,
Pois temo me perder na monotonia do nada.

Respiro fundo para não ser amuado.
Não me leve a mal,
Esse seu lirismo é por demasiado quadrado.
Meu caro, a vida é comediante, afinal.

Veio-me o nada no âmago
De minha decadência poética.
Pareceu-me tão atraente
Quanto o inebriar de neurônios
Que me causa a aritmética.

No cerne de meu inconsciente
Essa sociedade fugaz adormece.
O sentimentalismo que surge deficiente
Num relance de ilusões, desfalece.

A melodia dos pássaros não tem razão de ser
E simplesmente é.
Celebra a liberdade, nada mais quer.
Seu pesadelo é rouquejar e arrefecer.

Sem essa necessidade de precisão temporal
Os voos seriam mais altos que o limite
Dessa imaginação regada a moral.

Daniele Oliveira

sábado, 5 de novembro de 2016


O palhaço



Por dentro
O palhaço chora
Quando para  o público
Sorri por fora
Queria ele estar
Na plateia
Curtindo o show
Com sua Dorotéria

Achando a
Maior graça
Do triste palhaço
E sua desgraça

Este pobre palhaço
Que sempre paga o pato
Pronto para sofrer
No próximo ato

Outrora sorria
Um branco giz
Mas e agora?
Quem faria o palhaço feliz?


Yago Antunes

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Sem pé nem cabeça


Queria poder escrever-te um poema
Falar do que eu não sinto e sinto
Porém, só fui ensinada a escrever prosa
Totalmente diferente da do Rosa.
Era semelhante a artigos.
Artigos comprimidos e esquecidos
Idênticos ao latim.
Tão irritante quanto um pedaço de cetim
Muito longe de ser seda
E mais sofisticada que algodão.
Sei que acabei com a rima,
Mas não é só a rima
Que forma uma canção.
Te disse,
Estou aqui para escrever-te um poema
Então, não me venha falar de métrica
Isso é com a patrícia
Que só escreve poesia.
Por isso, prefiro a rima
Que se eu quiser
Rima com Catarina

Catarina Romeiro

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Minha lágrima é a introdução
dessa dor que virou poesia.
No papel escrevi a decepção
Que é o refrão da minha melodia.

A arte é a expressão da dor
Disparada como uma bala
Numa boca cheia de amor
Que agora nem mais fala.

No amor nunca tive sorte
E nem sempre fui confiante
Meu coração está cheio de morte
E ausente de um amante.

Minha alma era como criança
Cheia de sonhos e amor
Agora, sem esperança
Só habitam as trevas e a dor.


Julio Amorim

quarta-feira, 2 de novembro de 2016



Eu nunca acreditei
nos velhos poetas,
eu até zombava deles.
Ora, onde já se viu,
amar de uma forma
estupidamente irracional?
Amar ao ponto de não existir
longe da pessoa amanda?
Nunca pensei que isso
fosse acontecer comigo.
Eu que me achava
incrivelmente forte e sensata,
acabei caindo nessa armadilha,
na sua armadilha,
de amar. De amor.
Tem momentos, que eu te amo
e outros que te odeio
por me fazer te amar
desse jeito.
Você me faz desacreditar,
Você me faz suspirar.
Por que dói tanto assim?
Eu te pergunto.
Em resposta, você me diz:
Não sei.
Não quero ser seu
pronome possessivo,
porém muito menos
um artigo indefinido.
Demorei muito para entender
as regras da língua portuguesa,
às vezes, acho que eu não entendo até hoje,
mas eu sei o bastante
para não querer ser um
substantivo comum em sua vida.
Quem sabe posso ser um numeral,
o número 1
e junto podemos formar o 2,
esquecendo o resto, pois eles são apenas interjeições desnecessárias.
Se eu pudesse escolher
um advérbio de tempo,
escolheria o agora.

Catarina Romeiro

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Poema aos haters


Este povo...um bando de artista,
acham que me xingar é me chamar de comunista.
Fala mal de mim do nascer ao por do sol!
Cuidado! Que minha língua é revestida com cerol.

E eu? Só quieto no meu canto assistindo.
Vejo cada coisa...só saio rindo.
Enchem a cara de erva e bebe álcool igual chamyto
e vem reclamar de quem eu sarro ou quem eu fico?

Bando de crianças, menininhas e garotos.
Tomam conta da própria vida e ainda das dos outros.
Me vigiam durante semana e até em festa que eu "vô",
certamente sabem da minha saúde e da cor do meu cocô

Por que não compram um gato pra cuidar?
Assim terão mais sete vidas pra vigiar.
E isso sem citar o povo que mente,
que o que falam por trás, ah...pena que não falam na minha frente..


Yago Antunes